sábado, 9 de julho de 2011
A precariedade do sistema
Havia dois grandes cachorros correndo em minha direção,policiais com armas de última geração e carros novíssimos; ou eu corria ou seria atacado,resolvi correr.Pensavam que estava envolvido no crime,pois estava eu ao lado do recinto falando ao celular.
Me prenderam,tive sorte por não levar um tiro com toda a falta de preparo da polícia de hoje.Não houve interrogação.Fui colocado na cela da própria delegacia,sem explicações por parte do delegado.
A cela era pequena,cabiam 15 pessoas; mas éramos 30 detentos,alguns sem camisa,outros não tomavam banho há semanas,porque não queriam mesmo,mas para um ambiente prisional a situação não era tão desconfortável,tinha colchões e alimentação razoáveis .Fiquei lá por dez meses,sendo que a cela de uma delegacia é provisória,eu não podia questionar o delegado de forma alguma senão era pior para mim.
Eu não tinha filhos,nem mulher e falava com meus pais raríssimas vezes,eles não acreditavam que eu era inocente.No dia em que fui preso,os policiais roubaram minha carteira e meu celular,eu era obrigado a fazer coisas que não queria .A corrupção lá dentro era freqüente; quem tinha dinheiro lá fora,tinha muitos privilégios.
Depois que fui transferido para uma penitenciária ,passaram-se quinze meses até que descobriram que o delegado que havia me prendido e o juiz que havia me condenado faziam parte de uma quadrilha.E naquele dia em que fui preso,eles tinham matado quatro cidadãos inocentes como eu.
Finalmente a polícia federal fez um inquérito civil das pessoas que foram presas no período em que aquele delegado atuou,e eu fui julgado inocente,e solto,mas com muita indignação pela precariedade do sistema prisional brasileiro.
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